Filme sobre Baby do Brasil extrapola a pregação ao enfatizar a transcendência da música pop da 'Janis Joplin latina'

  • 03/04/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem do documentário 'Apocalipse segundo Baby', de Rafael Saar Reprodução ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: Apocalipse segundo Baby Direção e roteiro: Rafael Saar Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♪ Filme em cartaz na 31ª edição do festival de documentários É Tudo Verdade, com cinco sessões programadas entre 12 e 14 de abril nas cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). ♬ Dois anos após apresentar documentário apático sobre a cantora Maria Alcina, “Sem vergonha” (2024), o cineasta Rafael Saar retoma a boa forma já mostrada em filmes como “Yorimatã” (2014), doc sobre a natureza da dupla Luhli & Lucina. Em “Apocalipse segundo Baby”, uma das atrações da 31ª edição do É Tudo Verdade, festival de documentários que estará em cartaz de 9 a 19 de abril no Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), Saar volta a direcionar o foco para uma voz feminina da música brasileira, expondo a vida e as verdades de Baby do Brasil, ex-Baby Consuelo, cantora, compositora e instrumentista fluminense nascida Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade em 18 de julho de 1952 em Niterói (RJ). Nome incontornável da história da música brasileira, por ter sido na década de 1970 a vocalista do grupo Novos Baianos, Baby se tornou figura controvertida desde que se converteu em 1999 ao cristianismo evangélico pentecostal. Desde então, a artista se autodeclara pastora pop – uma popstora, como ela diz, criando denominação que mistura popstar e pastora – e usa a música para fazer a pregação da fé cristã com conceitos de transcendência espiritual. Produzido desde 2008, o filme de Rafael Saar tem a questão espiritual como norte, enfatizado já no título “Apocalipse segundo Baby”, mas extrapola a pregação ao mostrar a transcendência da música pop da artista enquanto narra a gênese da cantora pós-tropicalista sob a ótica pessoal da própria Baby do Brasil. Verdade seja dita: ao costurar material de arquivo com takes feitos para o filme, em roteiro que alterna imagens captadas desde o fim da década de 1960 até os correntes anos 2020, o documentário mostra que a espiritualidade sempre foi recorrente na trajetória de Baby desde a juventude, período em que ela personificava a menina hippie que provoca repulsa em famílias como a de Pepeu Gomes, com quem namorou, casou e teve seis filhos. Baby do Brasil revisita em 2011, para cenas do filme, a ponte de Salvador (BA) em que dormia na fase em que morou na rua Divulgação A narrativa é bem alinhada e defendida pelo diretor ao longo dos 109 minutos do doc. Viabilizado pela Dilúvio Produções em parceria com o Canal Brasil, o filme documenta a metamorfose artística e espiritual de Baby com um olhar afetivo para o passado, com direito a flashes da passagem de Baby pelo cinema underground da Bahia, já que, antes da fama, a artista integrou o elenco do filme “Caveira, my friend” (1970), dirigido por Álvaro Guimarães. No roteiro de “Apocalipse segundo Baby”, fica evidente que a artista, ao refletir sobre a própria trajetória, vê todo sentido em ter fugido para a Bahia na adolescência, de ter morado literalmente debaixo da ponte em Salvador (BA) – a Ponte de Piatã, revisitada pela artista para o doc – e de, mais tarde, ter atravessado o Caminho de Santiago, ponto fundamental da conversão da artista. Nessa travessia, Rafael Saar dedica takes generosos à vida comunitária de Baby (então Consuelo) com os companheiros do grupo Novos Baianos em época de constante repressão. “A ditadura brasileira foi avassaladora, mas a ginga brasileira venceu”, avalia a cantora, em frase de efeito reverberada pelo filme. O roteiro de “Apocalipse segundo Baby” reproduz na íntegra o clipe em que o grupo, com o frescor da juventude, canta o samba “Brasil pandeiro” (Assis Valente, 1940) e o vídeo em que Baby sola “A menina dança” (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972) com toda a graça e charme da época. Já caracterizada pelo jornal norte-americano “Los Angeles Times” como uma Janis Joplin (1943 – 1970) latina pelo fogo que a incendeia no palco, comparação corroborada no filme pela exibição de sucessivas imagens de Baby em shows em diferentes momentos da vida, a artista também é retratada no documentário em encontros com as cantoras Ademilde Fonseca (1921 – 2012) e Elza Soares (1930 – 2022), com as quais é vista cantando o choro “Brasileirinho” (Waldir Azevedo, 1949), música recorrente nos shows de Baby. E tudo parece fazer sentido na vida espiritual de Baby do Brasil quando o documentário rememora imagens da corrente de oração promovida pela artista em março de 1983 na porta da clínica onde a cantora Clara Nunes (1942 – 1983) estava internada com sequelas irreversíveis da operação de varizes que a levaria à morte em 2 de abril daquele ano de 1983. Foi nessa época que Baby conheceu e promoveu o suposto paranormal Thomas Green Morton, popularizado como “O homem do Rá”. Diante das câmeras de Rafael Saar, Baby narra como conheceu e como se desencantou com Morton. Em contrapartida, ao comentar o sentido da letra da música “O mal é o que sai da boca do homem” (Baby do Brasil, Pepeu Gomes e Luiz Galvão), defendida por Baby com Pepeu Gomes em festival de 1980, a artista se esquiva e não fala que os versos faziam jogo de palavras para defender a liberdade de fumar maconha (“Você pode fumar baseado / Baseado em que você pode fazer quase tudo”). É que, na visão atual de Baby do Brasil, já não cabe falar de drogas numa letra, já que a música é “o contato direto com Deus” no entendimento da artista. Enfim, mesmo sem sequer esboçar na narrativa uma reflexão minimamente crítica sobre a transformação de Bernadete em Baby Consuelo e depois em Baby do Brasil, o documentário de Rafael Saar joga boa luz sobre as questões que movem Baby na música e na vida enquanto a artista espera o que chama de arrebatamento, termo mais conhecido popularmente como o apocalipse. Baby do Brasil reflete sobre a trajetória artística e espiritual ao longo do documentário dirigido e roteirizado por Rafael Saar Divulgação

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/04/03/filme-sobre-baby-do-brasil-extrapola-a-pregacao-ao-enfatizar-a-transcendencia-da-musica-pop-da-janis-joplin-latina.ghtml


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